O meu passar denovo não tardou muito. A prova é que estou lançando os dois posts no mesmo momento, apesar de terem sido escritos em dias diferentes. Ler Comer, Rezar, Amar (a citação no outro post me entregou), tem revelado muitas coisas sobre mim a mim mesma. Uma delas é que também sou como um macaco frenético, inquieto, que precisa de tarefas e prioridades estabelecidas. De modo geral, se estou ocupada, estou estressada e buscando momento de ócio e paz, onde eu consiga aproveitar um pouco mais da vida e me concentrar um pouco mais em mim mesma; mas, se tenho esse espaço de desocupação, fico imediatamente ansiosa e angustiada, não consigo saber de fato o que é que eu busco, fico confusa com o ócio e a angústia me afasta de qualquer paz ou foco.
Uma vez que eu admita que, sendo um macaco, preciso de prioridades estabelecidas e distração ativa, não consigo, no entanto, descobrir quais são minhas prioridades – até por não saber qual é minha prioridade fundamental e meta de vida (que bom assunto para uma pesquisa!). quando isso acontece, eu tendo a buscar respostas na espiritualidade, já que se a morte é, senão uma meta, pelo menos uma finalidade indiscutível da vida, talvez a vida seja uma preparação para a morte e para o que vem depois dela.
Acontece que, apesar de acreditar em Deus e na eternidade da alma humana, não consigo me deixar convencer pela dualidade céu x inferno cristãos, reencarnações espíritas, ou pela idéia de estar em contato com Deus pelo esvaziamento da mente, como pregam a maioria das religiões orientais.
Minhas crises emocionais talvez advenham então, da minha falta de finalidade/meta/entendimento da vida. Ao meu ver, existem 3 tipos de pessoas: as que são completamente cegas e distantes a respeito desses questionamentos; as iluminadas, que conhecem exatamente qual é o seu lugar/papel neste mundo e existência; e as perdidas como eu, que batem a cabeça por aí de modo muito doloroso. Freud diria: cresça! Tu és um ser faltante, como todos os outros (mentira), lide com isso! Algumas religiões diriam: entregue-se! Este complemento e sentido de fato existe na segurança e estabilidade de nossos regramentos e convicções. Algumas pessoas diriam: esqueça isso! Causa sofrimento demais! Viva a tua vida e procure ser o melhor que tu puder ser!
Nenhuma delas me convence. E eu permaneço à margem, no caminho do meio – não asfaltado, em cima do muro, tentando me equilibrar.
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